“Cavalo não é máquina, mas parceiro e o trabalho adequado faz a diferença” , Sebastian Rohde

A importância da formação de um cavalo novo se reflete no futuro do esporte. Levar um cavalo ao mais alto nível de competição não é tarefa fácil: requer conhecimento técnico, paciência e horsemanship no sentido mais amplo da palavra: começando pelo respeito ao animal, treinamento adequado com planejamento para não atropelar nenhuma fase, chegar à altura de 1.40 metro por volta dos 7/8 anos e seguir carreira a 1.50 / 1.60 metro até depois dos 15 anos.

Hoje a criação do Cavalo Brasileiro de Hipismo (BH) está a altura dos melhores linhagens mundiais. “Fato é que no Brasil são criados cavalos extraordinariamente bons e na
realidade esse mesmo cavalo é igual às melhores linhagens europeias A única questão é formação e essa é a diferença”, discorre o alemão Sebastian Rohde, treinador especializado em cavalos novos, que tem vindo com regularidade ao Brasil desde 2009.

Flash durante a clínica do treinador Sebastian Rohde (terceiro da direita para esquerda) com Tony Fortino e Carolina Mendonça, à sua direito, Beate Susemihl,que atuou na tradução, Geraldo Lamounier e Antonio Celso Fortino, conselheiro da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo de Hipismo, um dos idealizadores da Clínica

Rohde, que trabalhou por muitos anos na Associação do Holsteiner, depois com o
criador Wolfgang Brinckmann, proprietário da Pikeur / Eskadron, atualmente está à frente Associação Internacional do Cavalo Oldenburger para os mercados dos EUA e América
do Sul. O conceito liberal da Associação Oldenburger de Esporte Internacional também vai de encontro à criação do cavalo Brasileiro de Hipismo, sem “bairrismo” para efetuar os registros das mais diversas e melhores linhagens warmblood a nível mundial.

O Brasil Hipismo conversou com Rohde, após mais uma bem sucedida clínica no início de fevereiro no Clube Hípico de Santo Amaro. Confira!

O alemão Sebastian Rohde à direita ao final da Clinica em Santo Amaro com Antonio Fortino e Rafael Christianini

BH. Quantas vezes você já veio para o Brasil e quais suas principais atividades?

Sebastian Rohde. Estive pela primeira vez no Brasil em 2009. Depois passamos a organizar clínicas com o Antonio Fortino e Paulo Foroni, primeiramente, duas a três
vezes por ano, depois quase cinco vezes por ano, acho que já sou meio brasileiro.

Depois que deixei a Associação do Holsteiner, após um pequeno hiato, voltei a montar mais e mediante a agenda não vinha tanto ao Brasil. Durante dois anos trabalhei os
cavalos novos para Wolfgang Brinckmann, proprietário da Pikeur /Eskadron. Agora estou trabalhando na Associação do Oldenburger e sou e sou responsável pelo mercado nos
EUA e América do Sul. O motivo é que a Associação Internacional do Oldenburgo tem 700 membros nos EUA e lá a cada ano nascem 300 potros registrados por nós. Então como já tenho contato na América do Sul com o Brasil, também voltei a vir pra cá.

BH. Mediante a globalização da inseminação artificial, a diferença entre os cavalos de linhagens warmblood está cada vez mais tênue. Pode apontar algum diferencial do Oldenburgo? 

Rohde. Cada vez as linhagens estão mais misturadas e há menos diferenças. A principal diferença é que o cavalo oldenburgo em sua origem – que existe até hoje – é um
warmblood de estatura bastante pesada e não é adequada ao esporte. Era usado na agricultura e é criado até hoje. Mas não tem mais nada com a atual Associação do
Oldenburger de Cavalos de Salto Internacional, fundada em 2001.

Oldenburger do jeito que está hoje é uma associação relativamente jovem e sempre esteve aberta a outras linhas com hannoveranos e holsteiners entre outras. A ideia é
criar um cavalo de esporte , o que basicamente é a diferença. Por exemplo a Associação do Holsteiner é bastante restritiva, por isso, muitos cavalos bons embora tenham
linhagem Holsteiner estão registrados no Oldenburgo, que é uma mistura.

Uma coisa interessante é que dos 21 mil potros warmblood que nasceram na Alemanha em 2016, o mesmo número que há 40 anos, o percentual do Oldenburger quadruplicou, enquanto outros studbooks diminuíram os registros ou desapareceram. Somos uma Associação flexível, demos chances a muitos garanhões. O presidente da Associação do Oldenburger nos EUA é Paul Schockemöhle, cavaleiro alemão e maior criador do mundo, que produz mais de 1000 potros ao ano em seu Haras Lewitz.

BH. Quais os principais destaques da raça Oldenburg no cenário internacional?

Rohde. Weihegold (Don Schufro em Sandro Hit), campeão olímpico por equipes e prata individual de Adestramento com Isabell Werth na Rio 2016, e que recentemente estabeleceu dois recordes em GPs World Cup com aproveitamento acima de 90%. Na modalidade salto são muitos os expoentes como Toulago, montaria do suíço Pius Schwizer, Couleur Rubin, na sela de Ludger Beerbaum, Sandro Boy, vencedor da Copa do Mundo com Marcus Ehning, entre outros.

/ Isabell Werth com Weissgold, um oldenburger top mundial , em ação na Rio 2016 ; img: FEI

BH. Como você avaliou o curso agora em fevereiro no Clube Hípico de Santo Amaro? Em linhas gerais no que se base o treinamento de um cavalo novo para a modalidade salto?

Rohde. Acho que a técnica de montaria está indo pro caminho certo, mesmo que aos poucos. Já verificamos uma outra ideia no que se refere montaria e formação de cavalos
novos. O negócio não é somente saltar alto e largo, mas ter controle sobre o cavalo e a partir daí estar melhor preparado para competir em nível mais alto . A ideia do
programa é que os cavaleiros tenham uma formação para trabalhar os cavalos novos de modo correto e melhor para que com isso o Cavalo Brasileiro de Hipismo também possa
ser melhor vendido.

O cavaleiro Tony Fortino participante regular das clínicas com Sebastian Rohde, em salto perfeito com Daquiri For, de 7 anos

Acho que esse também é um diferencial na Alemanha, onde tem muita criação, mas também se investe na formação dos cavalos. O comércio prospera porque os cavalos são bem trabalhados e podem ser montados por pessoas diferentes. Não basta criar bem é preciso formar os cavalos.

Tivemos vários tipos de cavaleiros na clínica, o que a torna bastante interessante, porque nenhum grupo é igual ao outro. Eu realmente gosto do que faço. Não olho  relógio. É preciso de alguma forma oferecer uma solução aos cavaleiros.

BH. Os mesmos exercícios básicos se aplicam a todos os níveis?

Rohde. Sempre há vários aspectos. A quem quero treinar, o cavaleiro ou cavalo, ou mesmo ambos? Um percurso é feito de diferentes distâncias, mais largas , mais
curtas, e mesmo quando o salto é isolado, nem sempre se acerta a distância ideal e preciso se preparar para o próximo obstáculo..

Não é adequado para o cavalo fazer um percurso todos os dias. Por isso, os exercícios com varas no chão e saltos baixinhos eu preservo o cavalo e assim treinamos a comunicação e a sintonia do olho do cavaleiro em parceria com o cavalo. Há muita coisa a se aprender e não é possível fazê-lo saltando somente percursos. Também não posso, por exemplo, enviar um cavalo novo para escola e dizer agora vamos escrever um ditado ! É preciso fazer uma coisa após a outra, passo a passo. Quando então um cavalo, aos
8 anos, está pronto para saltar a 1.50 metro em algum momento ele também tinha quatro anos e precisou ser formado. E, dessa forma, passo a passo, simplesmente
preparando o cavalo gradativamente para tarefas mais difíceis.

Claro que só se aprende a saltar saltando. Mas antes disso é preciso ter o cavalo sob controle, senão o resto não faz sentido. Eu posso fazer adestramento sem saltar,
mas não posso saltar sem fazer adestramento.

De modo geral quando vejo o hipismo no Brasil, noto que as pessoas gostam mesmo de saltar e não trabalhar. Então  muitos cavalos não vão ultrapassar a barreira da altura de 1.40 metro, sempre pode ter cavalo com mais potencial, isso é algo que a gente vem conversando há muito tempo.

Temos falado sobre cavalos de 5 anos realizarem disputas ao cronômetro no Campeonato Brasileiro. Isso é algo que a gente não conhece e realmente considero besteira. Em geral na Europa, cavalos de 6 anos já fazem disputa ao cronometro. Mas na Alemanha – o cavalo para disputar o Campeonato Alemão precisa vencer somente uma
qualificativa durante o ano. A gente preserva nossos cavalos muito mais, prova para cavalos novos 5 anos só tem uma por final de semana e já na altura de 1.20 / 130
metro não mais que isso. Eles podem concorrer em duas provas, mas em um único dia..

BH. Em linhas gerais, quais as dicas que você pode dar aos cavaleiros e criadores no Brasil?

Rohde. São muitos aspectos diferentes que tornam o Brasil extraordinariamente interessante. Fato é que aqui são criados cavalos muito bons e na realidade esse mesmo
cavalo é igual a linhagens europeias. A única questão é formação e essa é diferença. Na Alemanha, como falei, nosso maior negócio é formar cavalos novos. E quando a
gente fala em esporte ele começa a 1.40 metro, o que vem antes é somente formação.

Por isso, temos centenas de cavalos saltando 1.40 metro e não é nada demais.
Para esporte top é preciso cavalos que saltem 1.50 e 1.60 metro. E o cavaleiro brasileiro em si é extremamente veloz, mas às vezes é necessário não colocar o cavalo
novo na correria para depois aos 8 / 9 anos, ter um cavalo bom na cocheira.

Acho que um profissional também necessita de treinador. Em todos os concursos internacionais, a maioria dos cavaleiros têm seu treinador e trabalham em conjunto. Não é
possível ser diferente.

Na Alemanha muitos profissionais se especializaram em adestramento para cavalos de salto. Talvez eles mesmo não tenham condições de saltar um GP, mas sabem
trabalhar a base do cavalo de adestramento do cavalo para tanto. Um cavalo de GP necessita de movimento, sair da cocheira até 3 vezes por dia. Montar só uma vez por
dia não dá certo, o cavalo pode também ir ao padoque, piquete, andador. Cavalo não é máquina, mas parceiro e o trabalho adequado e detalhes fazem a diferença.

Tony Fortino, cavaleiro que também está investindo na formação de cavalos novos, com Zirocco de 7 anos

Interessante é que não há um caminho que esteja sempre certo. Acho que um problema na Alemanha é que formamos bem nossos cavalos, mas quando eles têm 7/8 anos, também precisam de mais tempo para ficarem mais rápidos e competitivos e isso também requer formação.

Não há um só caminho certo, mas é preciso seguir uma ideia que funciona. Respeito é fundamental. De uma forma ou de outro, o cavalo é um investimento: em algum momento
será vendido ou precisa ser vendido. Nesse sentido a gente corta a própria carne quando não cuidamos adequadamente da formação do nosso cavalo. Ele é o atleta, e se
não for cuidado será perdido e com prejuízo financeiro.

Amadores e profissionais precisam investir nesse parceiro. Se quero mudar alguma coisa aqui no Brasil, não basta conversar com o cavaleiro, mas também com os proprietários, criadores, treinadores e dirigentes que fazem as regras. Todos precisam conversar, entender as necessidades e compromissos de mudanças.

 

Fonte: Brasil Hipismo ; fotos: João Markun, FEI e arquivo pessoal

Vem aí o 8º Festival Nacional do Cavalo Brasileiro de Hipismo em Santo Amaro

Entre 1 e 4/8, o 8º Festival Nacional do Cavalo Brasileiro de Hipismo movimenta o Clube Hípico de Santo Amaro na capital paulista. Considerado o evento máximo da raça a cada a ano, a edição 2013 do Festival recebe a a Exposição Nacional de Potros, o Julgamento de Éguas Competition, a Aprovação de Garanhões, o Leilão Nacional BH, além das provas do Circuito do Cavalo Brasileiro de Hipismo com o já tradicional Grande Prêmio BH, a 5ª Etapa do Circuito Nacional do Cavalo BH e provas de 1 a 1.40 metro. A expectativa da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo de Hipismo (ABCCH), presidida por Paulo Foroni no biênio 2013/2014, é receber cerca de 450 cavalos.

Festivalbh

Compõe o quadro de juízes para aprovação de Garanhões e Éguas: Arnaud Evain (França), Sebastian Rohde (Alemanha) e os brasileiros Henrique Fonseca, Marcelo Blessmann e Edgar Foroni. Já na exposição de potros, o julgamento fica a cargo de Arnaud Evain.

Somente os cavalos regularmente registrados no Stud Book Brasileiro da ABCCH estão credenciados a participar do Festival e provas.

Inscrições online e programa – clique aqui.

Paulo Foroni, presidente da ABCCH, comenta o status e potencial da criação nacional

Em entrevista ao portal da Confederação Brasileira de Hipismo, o cavaleiro e empresário Paulo Foroni, atual presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo de Hipismo (ABCCH), abordou a qualidade da criação nacional e o projeto de fomento ao trabalho de base de adestramento do cavalo de salto, uma parceria entre as entidades.

Paulo Foroni, titular do Haras Agromen em parceria com seu pai Vitor, é o presidente da ABCCH no biênio 2012/2013; foto arquivo: Quinta da Baroneza

Confira a seguir, alguns trechos da entrevista selecionados pelo Brasil Hipismo.

A criação nacional vem crescendo cada vez mais. Atualmente quantos potros são registrados na ABCCH por ano e quantos cavalos BH estão em atividade no país?

Paulo Foroni. Temos registrado uma média de 800 a 1000 potros por ano. Estamos fazendo um levantamento de quantos cavalos BH estão no esporte.

Francisco Musa com o Brasileiro de Hipismo Xindoctro Método: conjunto campeão brasileiro 2012 e líder do ranking senior ; foto: Beatriz Cunha

Em 2011, a ABCCH implantou o programa “matrizes de ouro” que veio para auxiliar a todos os criadores, mas principalmente também quem está começando a produzir cavalos de esporte. Para você qual a importância do programa?

Foroni. Este programa talvez seja um dos programas mais importantes que ABCCH já fez. Todos sabem que a genética não é uma matemática exata mais segue alguns princípios e um deles é que a égua é tão ou mais importante que o garanhão na qualidade do potro. O programa tem como objetivo identificar as matrizes e linhagens maternas que se destacam no criatório por sua progenie e com isto fornecer aos criadores, principalmente aos novos, estas informações afim de que invistam em linhagens maternas comprovadamente importantes.

Antonio Celso Fortino com seu sucessor na presidência da ABCCH Paulo Foroni ; foto: CM

Você acredita que o cavalo Brasileiro de Hipismo possa vir a ser uma alternativa para concorrer com a criação na Europa, por exemplo, atraindo compradores dos EUA e outras partes do mundo?

Foroni. Quando se tem qualidade você é sempre uma alternativa. Hoje apesar de criar em um escala muito menor que a Europa já tivemos resultados muito expressivos a nível mundial como por exemplo as duas medalhas olímpicas por equipes formadas basicamente por cavalos BH (Brasileiro de Hipismo). O que precisamos é fortalecer a imagem do BH no exterior e fazer com que eles possam conhecer nossa qualidade.

Nada melhor que produto nacional em pistas internacionais para fazer o “comercial” do cavalo BH e o Haras Método, de propriedade de sua família, está entre os criatórios mais bem sucedidos. Por favor destaque alguns cavalos do Haras Método vendidos para o exterior.

Foroni. Opium Método (finalista na Copa do Mundo em Milão), Oliver Método (medalha de bronze por equipe no pan-americano de Santo Domingo, Le Grannus Método, Nelson Método, Roma Método, Quapillon Método (eleito o melhor cavalo de GP na Argentina em 2007), Pia Método (égua que serviu como reprodutora em um dos mais importantes criatórios do mundo, o Zangersheid), Oscar Método.

Doda Miranda com Oliver Método: conjunto medalha de bronze no Pan-americano de Santo Domingo 2003; foto: arquivo CBH

A seu ver, o que ainda pode ser feito para divulgar mais a criação nacional?

Foroni. Temos que exaltar mais os resultados conquistados pelos cavalos BH. Nós temos resultados mas divulgamos pouco. É preciso trabalhar melhor com os canais de comunicação e fazer estes resultados chegarem onde nos interessa.

Em 2012, primeira vez, a ABCCH em parceira com a CBH investe em uma sequencia de cursos para formação de cavalos com o renomado treinador alemão Sebastian Rohde, que atuou por mais de 10 anos na renomada escola Holsteiner, na Alemanha. São seis clínicas ao todo. Como presidente da ABCCH como você vê isso?

Paulo Foroni. Esta é uma situação que já deveria ter ocorrido há muito tempo. Hoje, em países que são grandes potencias no hipismo Associações de criadores e Confederação trabalham em sintonia. As Associações (Criatórios) fornecem a matéria prima (cavalos) para o esporte e as confederações sabem que um esporte de um alto nível depende de cavalos de alto nível.

Sebastian Rhode, 3º à esquerda, com parte do grupo de cavaleiros participantes do curso para formação de cavalos novos no Paraná

Por outro lado as Associações sabem que o futuro de seu mercado está no esporte e para isto precisam que cresça e abra novas fronteiras. Por estas razões é muito importante que a Confederação e a Associação trabalhem juntos pois dependem uma da outra. Fazer esta parceria para clínicas de formação de cavalos novos, com certeza, renderá frutos para ambas e deve abrir portas para novos projetos.

Luiz Roberto Giugni, presidente da CBH, em bate papo com Luiz Rocco, secretario geral da CBH, e os criadores Sergino Ribeiro de Mendonça, titular do Haras Agromen, e Paulo Foroni, titular do Haras Método; foto: CM

Em linhas gerais, quais os pontos principais do trabalho que Sebastian tem apontado?

Foroni. A principal ênfase é o adestramento de salto, trabalhando muito os exercícios sobre varas no chão e pequenos obstáculos (80 cm) exigindo sempre dos conjuntos a máxima perfeição. Ele só da continuidade nos exercícios para um conjunto quando este executa o exercício anterior como ele determina.

Eu tenho dito que ele é a pessoa certa no lugar certo e na hora certa. O Sebastian além de ter o conhecimento de como trabalhar um cavalo novo também sabe como passar estas informações para os cavaleiros. Todos que participaram das clínicas puderam observar a grande paciência e vontade dele em tentar passar as informações e se fazer entender.

Sucesso tem marcado as clínicas de Sebastian Rohde no Brasil; foto: ABCCH

Vamos ter clínicas no Haras Agromen, Juiz de Fora e em Belo Horizonte em outubro. Temos também já programada uma clínica no começo de dezembro em São Paulo. O projeto para as clinicas em 2013 já está pronto e só depende da confirmação das datas e locais. Para maiores informações é só entrar em contato com a ABCCH.

A edição 2012 do Festival BH no Clube Hípico de Santo Amaro foi um grande sucesso. Quais os principais pontos positivos do evento e o que pode ser melhorarado nas próximas edições?

Foroni. O grande ponto positivo deste modelo de festival é reunir em um mesmo espaço criadores, cavaleiros e proprietários. A ideia é fazer com que eles se relacionem, já que o criador precisa do cavaleiro para introduzir o seu cavalo no esporte e o cavaleiro precisa do cavalo do criador pois é sua ferramenta de trabalho e, por sua vez, ambos precisam do proprietário que é quem investe no esporte. Sempre temos o que melhorar. Já estamos trabalhando para o próximo festival, principalmente, com a ênfase de reunir um número maior de criadores, cavaleiros e proprietários.

Brasileiro de Hipismo Xindoctro Método com seu cavaleiro Musa, seu tratador e Antonio Fortino, representando a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo de Hipismo, na conquista do GP do Festival BH 2012; foto: Duílio / Tupa Vídeo

Por favor deixe uma mensagem para os criadores brasileiros.

Foroni. Gostaria de parabenizá-los pelo belo trabalho que fizeram até agora e que continuem acreditando e investindo na raça, pois usando um jargão bem popular: a “união faz a força” e o BH precisa de união.

 

Fonte: CBH – edição Brasil Hipismo

Criação brasileira registra ótima campanha no Campeonato Mundial de Cavalos Novos

O domingo, 30/9, marcou a final do Campeonato Mundial de Cavalos Novos 5, 6 e 7 Anos no Stud Zangersheid, em Lanaken, Bélgica. E a criação nacional fez bonito levando quatro representantes para a finalíssima: Monet HV, Burggirl DC, SL Brazonado e Becker Cooper.

Monet HV e Rodrigo Nunes venceram a seletiva nacional dos Cavalos 5 Anos e terminaram na 29ª colocação no Mundial; foto: arquivo pessoal

Outros quatro animais da raça foram para a Bélgica: Amareto Cooper, Lawrence JMen, Charada JMen e Larcos do Refúgio. Essa foi uma das mais importantes campanhas desde o início da participação da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo de Hipismo (ABCCH) no referido campeonato, no início dos anos 2000. “É o grupo mais consistente que levamos para Lanaken e os resultados foram ótimos”, comemorou Paulo Foroni. experiente cavaleiro e presidente da ABCCH. Comparando os números da criação brasileira em relação aos criatórios europeus, no Brasil são registrados 850 animais por ano, contra 60 mil da Europa.

A ABCCH vem realizando um grande trabalho com o objetivo de incentivar a correta iniciação e formação destes cavalos. Parte desse projeto está sendo realizado em parceria com a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) a exemplo das clínicas do cavaleiro alemão Sebastian Rohde realizadas no Brasil. Participaram, entre outros, os cavaleiros Rodrigo Chaves Nunes, Flavio Martinez Filho, Rafael Prochet e Tiago Diniz Costa, representantes nacionais na Bélgica.

Larcos do Refúgio e Rafael Procchet: direto do Paraná para a Bélgica; foto: arquivo pessoal

“Esse projeto consistente entre a CBH e ABCCH nos últimos anos vai nos levar a resultados cada vez mais expressivos”, ponderou Luiz Roberto Giugni, presidente da CBH.

Outros talentos brasileiros também competiram em terras belgas: Carlos Ribas, o Cacá, Flavio Abreu Bernardes, Guilherme Mattar, Luiz Felipe de Azevedo Filho, Thiago Ribas da Costa, Felipe Ramos Guinato e Caio Sérgio José Carvalho Filho, todos radicados na Europa. Vieram do Brasil para o evento além dos citados acima Filippo Ferrantelli, Rafael Maurício de Gouveia Junior e Denis Gouvea.

Mas o maior destaque brasileiro foi o cavaleiro do Maranhão radicado na Europa, Marlon Modolo Zanotelli, que levou o bronze montando Carthagena 6 na categoria 6 Anos.

O medalhista de bronze Marlon e a tordilha Carthagena 6; foto: Tabata Mouret

Oitocentos animais de todo o mundo, apresentados pelos melhores ginetes, saltaram desde a quinta-feira, 27, neste lugar considerado um templo do hipismo internacional, para um público de 100 mil espectadores. Competiram cavaleiros do calibre dos olímpicos Christian Ahlmann, Dirk Demeersman, Gregory Wathelet, Ludo Philippaerts e dos top alemães Toni Hassmann e Daniel Deusser.

Confira os detalhes da disputa.

Cavalo BH Becker Cooper fica em 8º lugar nos Cavalos Novos 5 Anos

Com dois percursos limpos, o vencedor da seletiva brasileira Monet HV montado por Rodrigo Chaves Nunes e AD Cupido apresentado por Felipe Guinato representaram o Brasil na final contra outros 41 concorrentes, todos em igualdades de condições. O cavaleiro da Estônia Hanno Elermann também levou o animal Brasileiro de Hipismo (BH) Becker Cooper à final.

Treze conjuntos zeraram e foram ao desempate pelo título. Cinco destes terminaram o desempate sem faltas, e a égua holsteiner Con Cara (Con Air x Franklin), montada pelo alemão Toni Hassmann, levou a melhor em 35s27. Na 2ª colocação, 36s08, chegou o garanhão Casuality Z com Pieter Clemens pela Bélgica. O bronze ficou para a Holanda com o sela holandesa Coursy, apresentado por Gerben Morsink, em 36s71.

Con Cara e Toni Hassmann saltam para a vitória nos 5 Anos; foto: FEI / Dirk Caremans

O também sela holandesa AD Cupido, pilotado por Felipe Guinato, perdeu 4 pontos no desempate em 36s82 e terminou na 7ª posição. O BH Becker Cooper e Hanno também fizeram uma falta e ficaram em 8º lugar, 40s77, a melhor colocação entre os animais Brasileiro de Hipismo no campeonato.

Monet HV e Rodrigo tiveram dois derrubes no primeiro percurso, finalizando o campeonato em 29º lugar entre os 240 conjuntos da categoria.
Bronze para Carthagena 6 e Marlon Zanotelli nos Cavalos Novos 6 Anos

Com uma falta no primeiro dia e zero no segundo, Cartagena 6 e a revelação maranhense de 24 anos Marlon Zanotelli habilitaram-se à grande final. Marlon classificou também sua segunda montaria, Beluga 22, com 5 pontos na segunda prova. O cavaleiro olímpico Cacá Ribas com Brilexo foi para a final sem nenhum ponto perdido.

Os vencedores entre os 6 Anos: Gangster de Longchamps e Dayro Arroyave, da Colômbia; foto: FEI / Dirk Caremans

Dos 269 inscritos habilitaram-se à final 40 concorrentes. Destes, 13 foram ao desempate sem faltas para a disputa do título. Aí apenas dois conjuntos terminaram sem penalidades. O Campeão Mundial Gangster de Longchamps (Orlando x Sheyenne de Baugny), sela belga conduzido pelo colombiano radicado na Bélgica Dayro Arroyave, com 40s58, e o Vice-campeão Goya van de Begijnakker, também sela belga, montaria de Charlotte Bettendorf, de Luxemburgo, com 40s69.

Pódio da categoria Cavalos Novos 6 Anos com Dayro Arroyave, ouro, Charlotte Bettendorf,prata, e o brasileiro Marlon Zanotelli, bronze; foto: Kristof De Pauw / facebook

O bronze veio para o Brasil com a égua oldemburg Carthagena 6 e Marlon, que foram os 4 pontos mais rápidos, 39s10.

O representante da raça Brasileiro de Hipismo SL Brazonado, montado pelo alemão Felix Hassmann, cometeu três faltas no desempate no ótimo tempo de 39s36, conquistando o 12º posto entre os melhores do mundo. Com 4 pontos no primeiro percurso da final, Marlon e Beluga 22 ficaram na 15ª posição. Brilexo e Cacá perderam 8 pontos, terminando na 23ª colocação.

Burggirl e Tiago são o destaque brasileiro entre os 7 Anos

O único conjunto verde amarelo na grande final foi a fêmea BH Burggirl DC pilotada por Tiago Diniz Costa e criada por seu pai Emyr, titular do Haras DC. Com uma falta apenas no último obstáculo do primeiro dia e um 5º posto com zero na segunda prova, eles classificaram-se em 19º lugar rumo à finalíssima, entre 194 concorrentes. Vencedores da seletiva em solo nacional, tiveram o patrocínio da ABCCH e apoio da CBH, assim como os ganhadores das outras seletivas. No dificílimo percurso final, elevado à altura de 1,45 metro, o conjunto brasileiro cometeu cinco derrubes, finalizando o campeonato na 35ª posição entre os 41 finalistas.

Burggirl e Tiago enfrentaram as feras internacionais de igual para igual; foto: arquivo pessoal

A grande vencedora foi a égua oldemburg Chacciana (Chacco-Blue x Andiamo Z), apresentada pelo alemão Florian Meyer Hartum, o zero pontos mais rápido entre os quatro conjuntos que foram ao desempate, em 40s54. O único outro zero do desempate veio de mais um conjunto alemão: Curley Sue 39 e René Tebbel, 41s13. Argos, sela holandesa, e Mathijs van Asten fizeram uma falta no desempate em 41s69 e levaram o bronze para a Holanda.

Confira os melhores resultados dos animais BH

Cavalos Novos 5 Anos

Becker Cooper (Kojak x Ahorn) / Hanno Elermann – 8º lugar
Monet HV (Manhattan x Indóctro) / Rodrigo Chaves Nunes – 29º lugar
Larcos do Refúgio (Larino x Narcos II) / Rafael Berger Prochet – 33º lugar na prova de consolação

Cavalos Novos 6 Anos

SL Brazonado (SL Baluarte x Silvestre) / Felix Hassmann – 12º lugar
Charada Jmen (Calisco x Cor D’alme II Z) / Rafael Mauricio de Gouveia Junior – 10º lugar na prova de consolação

Cavalos Novos 7 Anos

Burggirl DC (Burggraf x Pilot Super Doanjo) / Tiago Macedo de Noronha Diniz Costa – 35º lugar
Resultados completos – clique aqui.

Fonte: CBH – Lucíola Barbosa e Carola May com info ABCCH/Marcelo Navajas

Lawrence JMen e Burggirl DC vencem seletivas 6 e 7 anos para Lanaken

Finalizando com chave de ouro o 7º Festival Nacional do Cavalo Brasileiro de Hipismo, as finais da seletiva para o Mundial e do Campeonato Paulista de Cavalos Novos 6 e 7 Anos agitaram o Clube Hípico de Santo Amaro neste domingo, 5/8. Os campeões de 4 e 5 Anos foram conhecidos no sábado, 4.

Tiago e Burggirl vão ao Mundial de Cavalos Novos 7 Anos depois de baterem na trave por dois anos; foto: Duílio / Tupa Video

Durante os dias 2 e 5/8 a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo de Hipismo (ABCCH), em conjunto a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) e a Federação Paulista de Hipismo (FPH), promoveu a aprovação de garanhões, o programa Matrizes de Ouro, exposição nacional de potros da raça, Leilão Nacional BH 2012, a 5ª etapa da Copa BH, provas abertas da Salto – 1,20 e 1,30m, o Campeonato Paulista de Cavalos Novos, a final das Seletivas para o Mundial de Cavalos Novos e o Grande Prêmio Brasileiro de Hipismo.

Com a passagem para Lanaken na mão, o campeão dos 6 Anos Filippo Ferrantelli ainda ganhou de presente uma bota Lacerda; foto: Duílio / Tupa Video

O saldo não poderia ser mais positivo: apenas no Paulista e nas seletivas, somando as quatro categorias em questão – 4, 5, 6 e 7 anos – um total de 180 exemplares do melhor da criação criação nacional, se apresentou nas tradicionais pistas de Santo Amaro.

Seletivas para o Mundial de Cavalos Novos

Os 20 melhores animais de 5, 6 e 7 Anos classificaram-se ao longo de 5 seletivas para a etapa final que leva ao Mundial da categoria em setembro na Bélgica, na cidade de Lanaken. O animal campeão e seu cavaleiro terão as despesas pagas pela Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo de Hipismo (ABCCH). O 2º colocado também ganha o direito de representar o país no Mundial, com despesas por conta própria.

Belo momento de Filippo e Lawrence, campeões da seletiva entre os 6 anos; foto: Duílio / Tupa Video

O primeiro a carimbar o passaporte para a Bélgica no domingo foi Lawrence JMen, conduzido por Filippo Ferrantelli, na categoria 6 Anos. Animal do Haras Agromen, Lawrence é filho de Landario JMen em égua Camerun JMen. Em 2º lugar apareceu a fêmea rosilha Charada JMen, produto de Calisco JMen em Cor D’alme, montada por Rafael Gouveia Junior, seu proprietário. Apresentada por Victor Consortti Evangelista, Sherazade 3K (Silverstone x Emilion) chegou na 3ª colocação.

Rafael com sua espetacular égua Charada JMen; foto: Duílio / Tupa Vídeo

Entre os produtos de 7 anos, Burggirl DC conquistou o direito de representar o Brasil em Lanaken. De propriedade de Emyr Diniz Costa Junior, a bela alazã, filha de Burggraaf em Pilot Super Doanjo, foi apresentada por seu filho Tiago Macedo Diniz Costa. Flavio de Castro Martinez Filho, do Paraná, conduziu o seu Amareto Cooper à 2ª colocação. Amaretto é produto de Quidam de Revel em égua Capitol. Bolero JMen (Baloubet du Roet x Pit II JMen), montado por Francisco José Mesquita Musa foi o 3º colocado.

Helen Costa, orgulhosa mãe de Tiago Costa, segura a passagem do filho rumo ao Mundial de Cabalos Novos; foto: Duílio / Tupa Vídeo

Ulianna Vila Fal sagra-se Campeã Paulista 6 Anos

Dos 65 animais inscritos, 14 chegaram zerados ao final do Campeonato na categoria 6 Anos a 1,20 metro de altura. O que se viu então foi um disputado desempate pelo título em que nove concorrentes permaneceram sem faltas, demonstrando o alto nível técnico da competição. Ulianna Vila Fal, filha de Chin Chin em égua Stan the Man foi a mais rápida, 33s40, conduzida por Fabio Sarti ao alto do pódio. Kauana Sir Baloulei (Singulord Joter x Baloubet du Rouet), montaria de Pedro Henrique Tavora de Matos, foi vice-campeão no tempo de 34s08. Em 3º lugar chegou o produto de Contendro II em Pierrot, Binq Império Egípcio, 34s69, com Cesar Almeida.

Clique perfeito dos Campeões Paulistas Cavalos Novos 6 Anos

Renato Rodrigues dos Santos levou Quintana JMen (Quinar Z x Pit II JMen) à 4ª posição, 35s18. Litchin Xango (Chin Chin x Ramiro) e Bliss Crystal (Quatro do Top) chegaram na 5ª e 6ª colocação, ambos montados por Andréa Guzzo Muniz Ferreira, 36s41 e 36s95, respectivamente.

Paulo Foroni, presidente da ABCCH, à frente dos vencedores

Quality II vence a categoria Cavalos Novos 7 Anos

Apenas dois dos 33 animais participantes da categoria Cavalos Novos 7 Anos, a 1,30 metro de altura, terminaram sem penalizações no campeonato e foram ao desempate. O lindo tordilho de propriedade de Maria Lucia Huese, Quality II (Quasimodo Z x Chelano Z), sagrou-se campeão. Seu cavaleiro, Rodrigo Chaves Nunes, foi cauteloso no desempate chegando sem faltas em 47s61. Revista Mundo Equestre Elena, produto de Escudo em Graf Grannus, cometeu um derrube em 44s48, ficando com o vice-campeonato sob a sela de Felipe Juarez de Lima.

Rodrigo Chaves e Quality II saltam para a vitória no Paulista de Cavalos Novos 7 Anos

Também houve desempate para a definição do 3º lugar entre seis concorrentes com 4 pontos perdidos. Foi 3ª no pódio a Campeã Paulista 6 Anos em 2011 e vencedora da seletiva 2012 para o Mundial de Cavalos Novos 7 Anos, Burggirl DC, montada por Tiago Diniz Costa, com 46s09. Bolero JMen, montaria de Francisco Musa, foi o 4º colocado em 46s27. Ambos não cometeram faltas no desempate.

Festa no pódio do Campeonato Paulista Cavalos Novos 7 Anos

Charme (Cristo x Genever), 49s06, teve 2 pontos perdidos por excesso, e ficou na 5ª colocação montado por André Ferreira de Camargo. Coppola HV (Calisco JMen x Cortez II) chegou em 6º lugar acompanhado por José Luiz Guimarães de Carvalho, 4 pontos em 44s00.

O Festival Nacional do BH contou com o patrocínio Gerdau, VDL Stud, For Jump, Equicenter, Haras Império Egípcio, MAIS Veterinary Team, Haras das Cataratas, FEAT – Importação e Exportação de Cavalos, Desk Seguros e Ferraretto Hotel Guarujá.

Fonte: Federação Paulista de Hipismo – Luciola Barbosa; fotos: Duílio / Tupa Vídeo

41ª Copa São Paulo nas lentes do Brasil Hipismo

A 41ª Copa São Paulo movimentou a Sociedade Hípica Paulista, entre 13 e 17/6. Além dos cinco dias de disputa, a confraternização fez a diferença nesse que é um mais tradicionais e charmosos eventos hípicos do país.

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Fotos: Carola May e Priscila Caruso